Monge – Monges Beneditinos – Monasticismo – Mosteiro ou Monastério

Monge

Monge (feminino: monja) é uma pessoa devotada à vida monástica e clausural. Os monges católicos, que podem ser clérigos ou leigos, seguem uma regra de uma determinada ordem religiosa monástica e residem em mosteiros, enquanto que os frades e freiras residem em conventos. Os monges seguem uma vida de desapego aos bens materiais e de contemplação e serviço a Deus.

Monge

O termo monge, no latim monachus, tem sua origem no termo grego monós, (que significa um, um só), um só não no sentido de único, solitário, sozinho, isolado, mas um só no sentido de uno, completo, todo, inteiro, sem divisão. O monge é, pois, aquele que está em busca da sua unidade essencial e existencial, que procura esta unidade fundamental do seu ser em Deus, consigo mesmo, com os demais seres humanos e com o cosmos. O monge alcança a sua unidade sendo um só, com Deus; um só com a humanidade; e um só, com a criação.

Nesse contexto, o monaquismo beneditino reconhece como ponto fundamental, sentido da sua existência e sua razão de ser, a busca de Deus (“si revera Deum querit” = se busca verdadeiramente a Deus, Regra de São Bento 64). Busca de Deus que, no âmbito da Revelação Cristã, identifica-se com o conhecimento de Cristo, conhecimento este que, por sua vez, está necessariamente relacionado com o seguimento de Jesus. Logo, buscar verdadeiramente a Deus é conhecer a Cristo e conhecer verdadeiramente a Cristo é segui-lo, tornar-se seu discípulo e amigo.

O projeto que inspira a vida monástica obedece, pois, a certo ideal e a uma esperança. Na vida beneditina, este ideal de “buscar verdadeiramente a Deus” e “nada antepor ao amor de Cristo” se estrutura sobre três pilares: a oração (ora), o estudo (legere) e o trabalho (et labora). Estas são as colunas que sustentam a sólida edificação da vida monástica beneditina como sendo uma Escola do Serviço do Senhor, “Schola Dominici Servitii” (Prólogo da Regra de São Bento, 45).


Monges Beneditinos

O espírito da Comunidade

Pertencente à longa tradição beneditina segue a Regra de São Bento como mestra de vida monástica. Conforme entendiam os monges na Idade Média, interpretando o espírito da Regra, o lema de São Bento podia ser resumido pelo “ora et labora” – ora e trabalha. Acrescenta-se a esse lema “et legere”, ou seja, “e leia”, uma vez que, para São Bento, a leitura tem um espaço privilegiado na vida do monge, em especial a leitura das Sagradas Escrituras. Em vista disso, o ritmo da vida no mosteiro favorece o justo equilíbrio, temperando os momentos de trabalho (corpo), com a leitura (alma) e a oração (espírito).

Essa máxima da vida beneditina vem ao encontro daquela aspiração primeira e fundamental da vida monástica: uma vida de total entrega a Deus. Renunciando tudo quanto o separa de Deus, o monge procura alcançar a meta da vida contemplativa. A purificação do coração, nesse sentido, é a melhor expressão dessa busca, pois, como nos diz Jesus no Sermão da Montanha: "Felizes os puros de coração, porque verão a Deus" (Mt 5,8).

Com a assistência do Espírito de Deus, os monges procuram viver o ideal de vida há muito preconizado na Igreja, como um verdadeiro dom de Deus. Jesus Cristo – crucificado, morto e ressuscitado para nossa salvação e manifestação perfeita do amor de Deus – é o maior ideal dos monges, o qual eles devem sempre ter diante dos olhos, dia e noite. A obediência, humildade e espírito abnegação de Cristo inspiram sua conduta, e o amor de que nutrem por ele os orienta a assumi-lo como seu único Senhor, cuja comunhão de vida lhes garante as maiores recompensas espirituais.

A liturgia

Na tradição beneditina, os momentos de oração em comum são caracterizados pela celebração da liturgia católica: a recitação do Ofício Divino, ou Liturgia das Horas, e a participação na Santa Missa. O zelo pela oração em comum fez com que os mosteiros fossem conhecidos pela liturgia bem celebrada.

O trabalho

Como era o desejo de São Bento, os monges deveriam encontrar no Mosteiro o seu sustento, de tal maneira que evitassem a saída habitual dos claustros monásticos. O necessário resguardo do coração é observado por meio de algumas medidas concretas, como a reserva em mudar-se de mosteiro ou sair sem motivos plausíveis de seu ambiente de recolhimento e oração. Por isso, suas atividades são normalmente realizadas no âmbito do próprio mosteiro.

Os trabalhos realizados podem variar de acordo com as condições do lugar ou do momento. Pode-se dizer que, ao longo da história, os monges beneditinos desempenharam uma gama bastante vasta de tarefas, desde os trabalhos, assim chamados, mais humildes, como a limpeza dos recintos e o cultivo da terra, como os administrativos e intelectuais. Na maioria das vezes, cada monge desempenha diversas atividades no mosteiro.

A disciplina

São Bento não escreveu uma regra que primasse pelo rigor ascético nas observâncias cotidianas. Antes de tudo, o monge chega ao cume das virtudes e da contemplação de Deus por meio de uma vida de sobriedade e humildade. Deus se revela às almas simples que o procuram na sinceridade e generosidade do coração.

Com isso, São Bento diferia do espírito de seu tempo. Um número maior de pessoas podiam ingressar na vida monástica. Seu objetivo era que no mosteiro os fortes encontrassem o que desejam e que os fracos não fujam. Orienta os monges com habitual docilidade: "Se aparecer alguma coisa um pouco mais rigorosa, ditada por motivo de eqüidade, para emenda dos vícios ou conservação da caridade, não fujas logo, tomado de pavor, do caminho da salvação, que nunca se abre, senão por estreito início." (RB Prol,47s)

A hierarquia

O regimento interno de um mosteiro beneditino é muito simples. Pode-se resumi-lo na organização de uma vida em comunidade sob uma Regra e um Abade. A pessoa do Abade faz às vezes do pai espiritual e do superior na comunidade. São Bento lhe reserva dois capítulos da Regra. O Abade deve saber do difícil encargo que recebeu: servir aos temperamentos de muitos, moderar entre o pio afeto de um pai e o rigor de um mestre e, sobretudo, procurar antes ser amado do que temido.


Cistercienses

No século XII a Ordem Cisterciense é uma verdadeira potência temporal para a extensão de suas propriedades e a prosperidade de sua economia. Trabalhando com as suas próprias mãos, dão prova de uma grande capacidade de adaptação e competência, os monges cistercienses valorizam as suas posses, enriquecendo consideravelmente e condividindo as suas técnicas com as populações vizinhas. Esta riqueza, em seguida, se tornará causa de decadência. A partir do século XIII, com o diminuir do recrutamento, é necessário recorrer aos cânones de arrendamento para continuar a beneficiar os terrenos e, pouco a pouco, se toma o hábito de viver não mais do trabalho das mãos, mas das rendas das propriedades dos mosteiros.

Em 1892, sob o pontificado de Leão XIII, a maior parte dos mosteiros situados na França e na Bélgica se reagruparam. Em 1898, por ocasião do VIII Centenário da sua fundação, os Cistercienses reformados tiveram a possibilidade de resgatar a Abadia de Cîteaux e de fazer reflorescer ali uma comunidade. Nos fins do século XIX houve um período de perseguição para os mosteiros cistercienses, que viveram momentos difíceis na França e que foram vítimas de totalitarismos que golpearam toda a Europa, do Leste ao Extremo Oriente, causando a supressão de muitos mosteiros e provocando o testemunho de muitos mártires da fé.

"O Deus, vossa misericórdia é sem limites e vossa bondade é um tesouro inesgotável; prestados antes a vossa majestade, vos rendemos graças pelos benefícios que nos haveis feito, suplicando sempre a vossa clemência, para que não desampareis nunca aqueles aos quais concedeis os que vos pedem, dispondo-os para receberem os prêmios eternos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim Seja."


Trapistas

Os Cistercienses da Estrita Observância, conhecidos como trapistas, são religiosos que seguem a Regra de São Bento, o pai do monarquismo ocidental, que viveu no século 6. Suas origens remontam a 1098, quando Roberto de Molesmes, prior de vários mosteiros beneditinos, construiu uma nova casa monástica em Cister (daí o nome Cisterciense), perto de Dijon, França, com a finalidade de restaurar a caridade dos primeiros cristãos, por meio de uma vida comum, simples e austera, profundamente contemplativa. Cister foi modelo de organização monástica nas mãos de Estevão Harding e, posteriormente, reformado pelo abade Armand Jean Bouthillier Rance, do Mosteiro de Nossa Senhora da Trapa (França), a partir de 1662.

A vida trapista é orientada totalmente para a experiência do Deus vivo. É contemplativa. Chamado por Deus, o Trapista se consagra integralmente a buscá-Lo seguindo a Cristo, são a Regra de São Bento, um Abade (ou Prior) e em comunidade estável, na caridade fraterna, na qual são compartilhados todos os bens. Afastado do mundo, o Trapista purifica seu coração mediante a Palavra de Deus, a oração e uma ascese libertadora que o fazem humilde e obediente à semelhança de Cristo.

Nada antepor ao amor de Cristo (RB 4)

A jornada monástica se desenvolve entre o equilíbrio da oração pessoal e litúrgica, trabalho manual e estudo. O estilo de vida é frugal e simples. a própria vida e particularmente o Abade exercem papel fundamental na formação.

Fraterna, laboriosa e escondida, a vida Trapista se abre ao amor de Cristo e á alegre ação transformadora do Espírito Santo carisma é contemplativo. O que nos orienta são as palavras de São Bento: "Buscar a Deus verdadeiramente" e a convicção de que, através da nossa vida monástica, vamos encontrá-Lo e unir-nos a Ele, aqui nesta vida e por toda a eternidade.

O desejo de ver a Deus face a face fundamenta todas as dimensões de nossa vida: a celebração litúrgica do Ofício Divino e da Missa, as horas da meditação na Bíblia e da oração pessoal, o nosso trabalho manual e o estudo, as renúncias e as alegrias, a convivência fraterna e o recolhimento do silêncio. Em tudo tentamos de tornar-nos pessoas íntegras- homens de coração puro, capazes de contemplar a Deus. Vê-Lo revelado nos sacramentos e nos irmãos, na palavra da Escritura e na palavras dos acontecimentos do dia a dia, nos hóspedes e no povo do nosso País.

Nossa esperança porém vai além de tudo isso. Queremos ver a Deus assim como Ele é, segundo a promessa de São João. Para chegar a esta visão, levamos uma vida enclausurada, observando os três votos da vida religiosa- obediência, castidade e pobreza- dentro de um compromisso da conversão contínua na comunidade. Nossa solidão monástica, contudo, não nos afasta da humanidade. Serve ao contrário para despertar em nós a experiência profunda da solidariedade com todas as pessoas em sua nobreza e em sua fraqueza, e um chamado a ficar de pé diante de Deus em nome de todas elas.

Vida contemplativa

A vida trapista caracteriza-se pela procura constante do rosto de Deus, na oração, no trabalho e na fraternidade. A vida monástica é um serviço ao Senhor, no amor e na gratuidade. “O mosteiro é uma escola – escola onde se aprende de Deus a ser feliz”, dizia o monge trapista. É uma escola de caridade, de escuta e vivência do Evangelho. O que motiva a vocação trapista é o desejo de viver na intimidade com Deus, cujo sentido e fim último é estar sempre em busca Dele.

Essa procura de Deus é caracterizada por um determinado número de meios:

  • a oração silenciosa e contínua, a oração litúrgica, a lectio divina e as diversas renúncias que conduzem à conversão e à purificação do coração, tudo em clima de solidão e de silêncio. O dia-a-dia do mosteiro é marcado pela espiritualidade litúrgica, ou seja, pela celebração da Liturgia das Horas e da Eucaristia.

Os principais elementos da espiritualidade cisterciense são:

  • a Regra de São Bento; a solidão, que permite a observância da Regra; o amor a Cristo para ser “pobre com Cristo pobre”. A espiritualidade cisterciense do trapista constitui uma riqueza para todo o povo cristão. Ele quer ser uma presença singela, silenciosa e simples no coração da Igreja, da humanidade e da história para testemunhar o absoluto de Deus, que é plenitude, sentido e alegria de viver no serviço do Senhor, no amor e na gratuidade.


Concepcionistas

Fundada em 1484, por Santa Beatriz, sob a inspiração do Espírito Santo e a pedido da Virgem Imaculada, em Toledo-Espanha, nos Palácios de Galiana, cedidos pela rainha Isabel, a Católica; foi aprovada a 30 de Abril de 1489, pela Bula “INTER UNIVERSA” do Papa Inocêncio VIII e canonicamente ereta a 16 de fevereiro de 1491, sendo dotada de Regra própria pelo Papa Júlio II, a 17 de Setembro de 1511, em virtude da Bula “AD STATUM PROSPERUM”. Essa regra própria é baseada na forma de vida instituída pela santa fundadora e por ela e por suas companheiras observada desde o início da fundação da Ordem.

Essa Ordem esta caracterizada por três heranças espirituais de Santa Beatriz: o Amor a Maria Imaculada, A Paixão de Jesus Cristo e a Santíssima Eucaristia. As Concepcionistas foram, cronologicamente falando, as primeiras monjas do Novo Mundo. A Concepción do México foi erigida em 1540 a pedido do Bispo Juan de Zumárraga. As primeiras Clarissas chegariam a Santo Domingo em 1552, isto é, doze anos depois.

A Congregação das Irmãs Concepcionistas foi fundada por Santa Beatriz da Silva. Fazia parte da alta corte de Portugal e, quando jovem, sua extrema formosura despertou a cobiça e gerou rivalidades entre os cortesãos. Provocou a ira da própria rainha que, enciumada, atentou contra a vida dela, trancando-a num cofre fechado, onde dias depois, foi encontrada ilesa. Era devotíssima de Maria Santíssima e dotada de todas as virtudes cristãs desde a tenra idade. Incomodada pelos tristes acontecimentos, refugiou-se para um mosteiro de monjas beneditinas, onde permaneceu como hóspede por 30 anos, mas nunca ingressou na congregação, apesar de adotar o mesmo modo de vida das contemplativas.

Carisma

Santa Beatriz da Silva fundou a Ordem da Imaculada Conceição para o serviço, a celebração e a contemplação do mistério de Maria em sua Imaculada Conceição. (CCGG Art 9.) As Monjas Concepcionistas obrigam-se, então, a viver as atitudes de a Maria no seguimento de Cristo. Dessa forma tornam-se sensíveis à missão de Jesus.

Maria segue a Cristo pela escuta fiel de sua Palavra, pelo serviço e pela entrega dos direitos maternos junto à cruz (Jo 19,25) e se converte em caminho de seguimento. As Monjas Concepcionistas realizam o seguimento de Cristo, a exemplo de Maria, no silêncio que facilita a escuta da Palavra, na obediência aos planos de Deus sobre o mundo e a própria pessoa, nas simples tarefas cotidiana da vida e na entrega generosa da capacidade de amar, do desejo de possuir e liberdade de dispor livremente da própria vida.

Vivendo em clausura por amor a Cristo, as Monjas Concepcionistas renunciam ao serviço imediato da promoção humana e à presença física no mundo, convertendo-se em semente fecunda que do sulco aponta para a Ressurreição, em contemplação, onde Cristo renasce a cada dia no mundo e em anúncio peculiar da morte do Senhor até que ele volte (1Cor 11, 26).

"A Ordem da Imaculada Conceição é totalmente contemplativa. Seduzida pelo amor eterno de Deus, vive o mistério de Cristo a partir da fé, da oração constante, da disponibilidade e do ocultamento silencioso.(CCGG 4)".

Espiritualidade

As Monjas Concepcionistas, fiéis à sua vocação de vida religiosa contemplativa e fiéis ao carisma de Santa Beatriz, seguem com Maria os passos de Jesus Cristo, procurando ter sobre todas as coisas o espírito do Senhor e sua santa operação, com pureza de coração e oração devota.

Em companhia de Maria, a Mãe de Jesus (At 1,14), as Concepcionistas permanecem num mesmo espírito de oração, conscientes de que isto é o único necessário (PC 5 e 7), realizando dessa maneira sua missão na Igreja, sendo uma fonte de graças celestiais. Buscam o princípio e o fim de todas as coisas na oração, pois só na oração incessante (1Ts 5,7) podem conhecer a Deus como a seu único Esposo. Devem ter grande reverência e honra pela Santíssima Eucaristia, porque este mistério de amor contém todo bem espiritual da Igreja (PO 5).

Hábito da Monja da Ordem da Imaculada Conceição

O Hábito da Ordem da Imaculada Conceição é indicado na Regra (R 6-8). As Irmãs devem usá-lo como sinal de sua Consagração e Testemunho de Pobreza (CCGG art.108) . Segundo o modelo que a Virgem propôs a Santa Beatriz.

A Brancura do Hábito para que a candura deste vestido exterior dê testemunho da pureza da alma e do corpo. O Manto azul significa que a alma da Virgem foi concebida sem pecado original e cheia de graça desde o primeiro instante. A Medalha, lembra as Religiosas desta santa religião que sempre devem trazer a Mãe de Deus em seus corações, como imagem de vida. O Cordão Franciscano - Significa que a Ordem da Imaculada Conceição encontrou na espiritualidade Franciscana um apoio para chegar a Cristo e à sua Mãe Imaculada.


Passionistas

O que são os Passionistas?

São um grupo de cristãos, sacerdotes e leigos, que vivem em comunidade fraterna, dispostos a anunciar aos homens Evangelho de Cristo. Esta comunidade de apóstolos foi fundada por S. Paulo da Cruz (Paulo Danei: 1694-1775) em Itália, no ano de 1720.

O Fundador descobriu na Paixão de Jesus Cristo "a maior e a mais admirável obra do amor divino" e a revelação do poder de Deus que elimina a força do mal com o dinamismo da Ressurreição. Paulo da Cruz confiou aos seus seguidores a tarefa de anunciar aos seus contemporâneos o amor de Deus por cada pessoa, manifestado na Paixão e Morte de Cristo e tornado vitorioso pela Ressurreição.

Os Passionistas comprometem-se, através de um voto especial, a promover a memória da Paixão de Cristo (Memoria Passionis) com a palavra e com a própria vida. Procuram fazê-lo, sobretudo, com a pregação e com a sua presença junto dos pobres e dos marginalizados por qualquer razão; enfim, junto de todos os "crucificados" da actualidade.

Outra característica importante dos Passionistas é a vida comunitária. Na fraternidade passionista tudo é comum e a mesma dedica um grande espaço de tempo à oração e à contemplação. Os Passionistas são, por assim dizer, contemplativos activos; ou seja, unem de modo criativo a contemplação com a sua actividade pastoral.

O Fundador: S. Paulo da Cruz

Síntese Biográfica:

Paulo Danei Massari nasceu em Ovada, Itália, a 3 de Janeiro de 1694, tendo-se mudado, mais tarde, para Castellazzo-Bormida, não muito longe da sua terra natal. A sua mãe ensinou-o a ver na Paixão de Jesus Cristo a força para superar todas as provas e dificuldades. Assim, enamorado de Jesus Crucificado desde criança, quis entregar-Lhe toda a sua vida. Durante uma grave doença, a visão do inferno horrorizou-o. Ouvindo a pregação de um sacerdote, o Senhor iluminou-o relativamente ao amor de Cristo Crucificado: foi o momento a que ele próprio chamou de "conversão".

Por volta de 1715-1716, desejoso de servir a Cristo, apresentou-se em Veneza e alistou-se no exército. Queria lutar contra os turcos, que então ameaçavam a Europa, com mística de cruzado,. Enquanto adorava o Santíssimo Sacramento, numa igreja, compreendeu que não era aquela a sua vocação. Abandonou a carreira militar, serviu durante alguns meses uma família e regressou a casa. Embora o seu tio sacerdote prometesse deixar-lhe toda a sua herança no caso de vir a casar, Paulo renunciou à oferta.

Fazer memória do Crucificado:

Segundo um testemunho, uma aparição da Virgem Maria permitiu-lhe conhecer o hábito, o emblema e o estilo de vida do futuro Instituto, que teria sempre Jesus Cristo Crucificado como centro. O Bispo de Alexandria, Mons. Gattinara, ouvido o conselho de confessores prudentes, revestiu-o com o hábito da Paixão, a 22 de Novembro de 1720. Passou 40 dias na sacristia da igreja de S. Carlos, em Castellazzo. As suas experiências e o seu estado de espírito, durante aquela "quarentena" conservaram-se até hoje com o nome de "Diário Espiritual". Além disso, elaborou um esboço das Regras, destinadas a possíveis companheiros, aos quais chamava de "Os Pobres de Jesus". O seu irmão João Baptista, que o visitava, quis associar-se a ele, mas Paulo, naquela altura, não o permitiu.

Concluída a experiência, o Bispo autorizou-o a viver na ermida de Santo Estevão, em Castellazzo, e a realizar apostolado como leigo. No Verão de 1721, viajou até Roma, no intuito de obter uma audiência Papal para explicar as luzes recebidas sobre uma futura Congregação. Os oficiais do Quirinal, onde residia o Papa, não o deixaram entrar, pois pareceu-lhes tratar-se de mais um aventureiro.

O primeiro voto passionista:

Aceitou a humilhação que o configurava a Jesus Crucificado e, na basílica de Santa Maria Maior, perante a Virgem "Salus Populi Romani", fez voto de se consagrar a promover a memória da Paixão de Jesus Cristo.

De regresso à sua terra, deteve-se um pouco em Orbetello, na ermida da Anunciação do Monte Argentário. Ao chegar a Castellazzo, encontrou-se com o seu irmão João Baptista e, juntos, resolveram levar uma vida eremítica no Monte Argentário. Depois, a convite de Mons. Pignatelli, deslocaram-se para a ermida de Nossa Senhora, em Gaeta.

Mais tarde, Mons. Cavallieri recebeu-os durante algum tempo, em Tróia, tendo regressado a Gaeta, mas, desta vez, para o Santuário da Virgem da "Civita", em Itri. Os esforços de fundar uma comunidade fracassavam sempre. Para serem pregadores da Paixão era necessário tornarem-se sacerdotes. Por isso, resolveram viajar para Roma. Enquanto estudavam a Teologia, foram prestando o seu serviço no hospital, atendendo os doentes infectados pela peste. O Papa saudou-os em El Celio, junto à igreja chamada ‘La Navicella’, e deu-lhes uma autorização oral de poderem fundar no Monte Argentário. Uma vez ordenados sacerdotes, em 1727, os dois irmãos abandonaram Roma e dirigiram-se para o Monte Argentário.

Pregar a Paixão de Cristo:

Iniciaram o seu apostolado entre pescadores, lenhadores, pastores, etc. Rapidamente foram-se juntando companheiros, entre eles o seu irmão António e sacerdotes bem preparados. Os Bispos dirigiam-lhes pedidos para missionarem as terras daquela zona. Quando ali se declarou a guerra dos Presídios, Paulo exercia o seu ministérios em ambas as facções, sendo bem recebido dos dois lados.

O primeiro convento, dedicado à Apresentação, foi inaugurado em 1737. Paulo apresentou as Regras para o novo Instituto, em Roma. Depois de algumas alterações, viriam a ser aprovadas por Bento XIV em 1741.

O Fundador foi contemporâneo de grandes pregadores como S. Leonardo de Porto Maurício, a quem cumprimentou em determinada ocasião, e S. Afonso Maria de Ligório, a quem não chegou a conhecer. Tal como a eles, o amor a Jesus Crucificado impelia-o para o serviço apostólico das missões.

Il segno Passionista

Embora tenha sido sempre Superior Geral, desde 1747, não deixou de pregar nem de escrever cartas como director espiritual. O Instituto teve alguma oposição dentro de um sector da Igreja, facto que determinou a suspensão da fundação de vários conventos, até que uma comissão pontifícia deliberasse em favor dos Passionistas.

Defendeu sempre, com grande determinação, para toda a Congregação, o espírito de solidão, pobreza e oração, não só com os seus conselhos, mas indicando também o exemplo do seu irmão João Baptista. Quando este morreu em 1765, Paulo sentiu-se como um órfão.

Após a supressão da Companhia de Jesus, Clemente XIV levou os Padres da Missão à igreja de S. André do Quirinal e concedeu a Paulo da Cruz a casa e a basílica dos Santos João e Paulo que eles tinham em El Celio. Nela, a dois passos do Coliseu de Roma, viveu o Santo os últimos anos da sua vida; ali recebeu as visitas de Clemente XIV, em 1774, e de Pio VI em 1775, e ali faleceu, uns meses mais tarde. As suas relíquias conservam-se em capela própria, inaugurada na basílica em 1880.

Vida Religiosa é dom de Deus para com a Igreja e o povo. É seguimento criativo e fiel a Jesus Cristo impulsionado pelo Espírito Santo. Animada pelo mesmo Espírito a Vida Religiosa, por um lado, é chamada a testemunhar a memória de Jesus, a quem segue, buscando o que perdeu e enfraqueceu da experiência cristã originária; por outro lado, é chamada a recriar a presença de Jesus na história, sendo resposta de fé aos novos sinais dos tempos. Requer uma abertura incondicional ao "novo" que o Espírito já faz despontar, mesmo sem percebermos. O "novo" é gerado com dores de parto, mas nada supera a alegria e a felicidade que nasce como fruto do Espírito. Este clima de alegria é constante.

No seguimento de Jesus, a Vida Religiosa é chamada a deixar-se conduzir e impulsionar pela força do Espírito Santo. Situada entre a memória e a utopia, torna-se um sinal profético no hoje histórico, frágil e provisório, mas forte e eterno. Um "hoje" que não se esgota em si mesmo, mas é Kairós, grávido de sementes do passado e de possibilidades futuras, porque fecundado pela semente da Palavra profética e do Carisma do Espírito.


Dominicanos

Os Dominicanos, foram fundados por São Domingos de Gusmão em 1216, com o objetivo específico de se dedicarem à pregação do Evangelho no mundo inteiro: "Ide e anunciai o Evangelho a todos os povos". (Mc. 16, 15).

Por causa deste "carisma" da pregação foram chamados de "ORDEM DOS PREGADORES". O ideal de Domingos e de seus companheiros consiste em seguir a Cristo pobre, que se faz irmão de todos os homens e mulheres, a partir dos empobrecidos e marginalizados.

Domingos pertencia a uma rica família de nobres da Espanha, mas para seguir a Cristo, deixou tudo e se fez "humilde pregador do Evangelho", vivendo de esmola e procurando convencer com o diálogo e o exemplo de vida. Ele procurava imitar a vida dos apóstolos e dos primeiros cristãos de Jerusalém que: "...eram um só coração e uma só alma... tinham tudo em comum... eram assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações e... com muito vigor, davam testemunho da ressurreição do Senhor." (Atos dos Apóstolos).

Carisma

Vivenciamos nosso carisma por meio de uma vida de oração, silêncio e vida comum, participando plenamente da missão apostólica da Ordem, colocando-nos como sinais e testemunhas vivas dos valores evangélicos. Com nossa entrega total a Deus por meio da clausura e por uma intensa alegria, pois a nossa Ordem tem como base viver a alegria, que é uma herança deixada por Domingos, do qual se dizia: ninguém mais alegre que ele, nós estamos provando para o mundo o Absoluto de Deus. Através de uma vida escondida, é possível olhar para tudo com serenidade, pois, há um ponto em nós que transcende todo o cotidiano: Deus. Quando sabemos que apenas Deus satisfaz o nosso mais profundo anseio, podemos aceitar tranqüilas e serenas a vida como ela é, com os altos e baixos, com suas limitações e dificuldades.


Cartuxos

Monges e Monjas contemplativos, filhos e filhas de São Bruno e, como ele, os solitários, desde há nove séculos, procuramos ser fiéis ao chamado que recebemos de Deus. Com simplicidade tentamos dizer aqui quem somos a favor de todos aqueles que estão atraídos por esta vida separada do mundo.

Os monges e as monjas cartuxos, quem são?

A solidão implica a separação do mundo. Assegurada pela clausura, esta solidão se concretiza, entre outros modos, em:

  • Uma saída por semana, para o Passeio;

  • Carência de visitas;

  • Sem apostolado exterior;

  • Não há rádio nem televisão.

Como todos os monges, os cartuxos consagram sua vida inteira à oração, para trabalhar por sua salvação e pela de toda a Igreja. Esta ordem contemplativa se apóia de maneira particular sobre três elementos:

  • a solidão;

  • certa combinação de vida solitária e de vida comunitária;

  • a liturgia cartusiana.

Assim, sacerdotes e irmãos vivem uma vida de oração e de trabalho solitários; os primeiros na cela, e os segundos nas obediências.

"Nossa ocupação principal e nossa vocação é a de dedicar-nos ao silêncio e à solidão da cela.[...] Nela com freqüência a alma se une ao Verbo de Deus, a esposa ao Esposo, a terra ao céu, o humano ao divino." Estatutos 4.1

Os Ofícios e o trabalho se sucedem segundo um ritmo imutável, ao passo do ano litúrgico e das estações.

Os cartuxos não são completamente ermitões. As duas dimensões (ativa e contemplativa) presentes em sua vida solitária também se expressam de maneira comunitária: em especial com a missa conventual, o longo ofício noturno, a recreação e o passeio.

Conquanto os cartuxos estejam apartados do mundo, não vivem só do espírito. Também eles se vêem na necessidade de responder aos reclamos da humana natureza, ainda que com austeridade.

Os Irmãos se encarregam de uma grande parte destas tarefas. Aos sacerdotes também está reservada uma parte destas tarefas, tanto para ajudar a cobrir as necessidades materiais como para fomentar um bom equilíbrio corporal.

A chamada de Deus

Como toda a vida religiosa, a vida cartusiana é uma resposta a uma chamada de Deus. Esta vocação não procede de si mesmo, é recebida. Não se trata duma simples escolha pessoal, é uma história de amor, conseqüentemente uma história de dois. Jesus convida alguns homens para, por amor, o sigam na solidão da montanha para permanecer com Ele e contemplar o esplendor do seu rosto.

"Cristo, Palavra do Pai, por mediação do Espírito Santo, elegeu desde o princípio alguns homens, a quem levou à solidão para uni-los a si em íntimo amor." (Estatutos, Prólogo)

Aqueles que conhecem o amor conjugal podem compadecer-se de nós, crendo que não sabemos o que é o amor. O amor de Deus percebido na fé, em uma fé obscura, é mais seguro, mais próximo, mais doce, mais forte, mais tranqüilizador e também mais embriagador que qualquer outro amor. Nós temos na fé uma certeza que nenhuma outra experiência pode dar. Assim é o sentido da Escritura : «Eu casar-me-ei com você na fé».”

A resposta humana

Esta chamada de Deus dirige-se a um ser humano livre... Hoje em dia surge a dificuldade que pode provir da compreensão da chamada. A vida contemplativa é pouco conhecida e freqüentemente pouco apreciada; está tão afastada e, às vezes, é tão contrária aos costumes do mundo moderno, que poucos estão preparados para experimentar seu atrativo. Não obstante, hoje, como ontem, há candidatos que continuam a bater às nossas portas. Que esperamos deles?

Um desejo profundo de consagrar a sua vida à oração e à busca de Deus no amor « Tenho sede do Deus forte e vivo, quando verei a face de Deus? » (Sal 42. 2) Este ideal contemplativo deve ser acompanhado pelo atrativo da solidão, já que é nesse ambiente que decorre a maior parte da vida do monge. Entretanto, porque os cartuxos não são ermitões em sentido próprio, a parte da vida em comum não se deve desvalorizada. Entre outras qualidades indispensáveis, oequilíbrio e o juízo reto ocupam o primeiro lugar. Ainda pode-se acrescentar: a maturidade afetiva capaz de preparar-se para um compromisso de vida, o espírito de fé e abertura que esteja disposto a se deixar guiar pela obediência, e a saúde suficiente.

A chamada à vida cartusiana manifestar-se-á freqüentemente por um desejo que pode aparecer de repente, ou após uma experiência espiritual importante, ou, pelo contrário, amadurecer pouco a pouco ao longo dos anos.


Carmelitas

A Ordem Carmelitana teve sua origem no Monte Carmelo, na Palestina. E seu espírito está caracterizado por dois elementos: sua origem Eliana, ou de Santo Elias e Mariana ou de Maria. são os germens que abrem, continuam e fecharão a história, a tradição e a espiritualidade do Carmelo.

Habitando junto à fonte de Elias, em torno de uma ermida dedicada à Virgem, com o tempo, os eremitas foram sendo conhecidos como IRMÃOS DE NOSSA SENHORA DO MONTE CARMELO e, ao longo das três primeiras décadas do século XII, puderam amadurecer sua espiritualidade e estilo de vida próprios.

O Carmelo experimentou e confirmou, com santa Teresa e são João da Cruz, esta inspiração Mariana das origens. Modelo de oração e abnegação no caminho da Fé, Maria é aquela que se consagrou a acolher e a contemplar com a inteligência e o coração, a Palavra do Senhor, deixando-se guiar pelo Espírito Santo.

A contemplação de Maria, como perfeita realização do ideal da Ordem, nos estimula a seguir suas pegadas a fim de que, com o coração de “pobres do Senhor”, na perene meditação da Palavra de Deus e no multiforme dom da caridade, configuremos nossa vida à dela. Assim seremos introduzidos no mistério de Cristo e de sua Igreja.

No Mosteiro São José de Ávila, berço da Reforma, tudo foi organizado de maneira que a vida contemplativa na solidão, fosse um meio propício para se atingir a nobre finalidade do Carisma. Cada Carmelo, procura seguir fielmente os nobres ideais de Santa Teresa.

É de tradição monástica, ter uma fonte no centro do jardim do claustro que simboliza a Árvore da Vida colocada por Deus no meio do Paraíso, e os 4 lados do quadrângulo são os 4 rios que corriam pelo Jardim do Éden. Há um simbolismo que herdamos dos antigos monges: Ao passar todos os dias pelo claustro, deveriam se recordar de que eles também são convidados a fazer a mesma experiência de intimidade que Adão e Eva tinham com Deus, antes do pecado original “... QUE VINHA PASSEAR NO JARDIM, À HORA DA BRISA DA TARDE” (cf. Gen 3, 8). É comum em alguns Carmelos ter uma Cruz, que representa a nova Árvore da Vida, onde Cristo, o Novo Adão, deixou correr de seu Coração transpassado a água regeneradora da salvação... “JESUS CRISTO É A ALMA E O CORAÇÃO DE TODA VIDA CARMELITANO - TERESIANA”.

Preside a comunidade teresiana a Madre Priora, que governa o Mosteiro em qualidade de Superiora maior por um período de três anos, no fim do qual, através de uma votação, é escolhida uma outra Irmã da própria Comunidade. A Priora é vínculo de união e de amor entre as Irmãs, preside-as, guia-as e as acompanha no caminho da vocação, solícita pela observância fiel da Regra e das Constituições

Outra característica importante de nossa vida contemplativa é “a participação na oração de Cristo que tem sua expressão mais alta na SAGRADA LITURGIA e prolonga-se durante o dia enriquecendo a oração pessoal. Na Eucaristia a carmelita passa a ser a ”voz da Igreja” que na Liturgia da Horas - conforme expressa o Sl 118,164: ”7 vezes ao dia proclamo os vossos louvores”- fala a seu Esposo e com Ele louva o Pai em nome da humanidade. Aí participa, ao mesmo tempo e a seu modo, no sacerdócio de Cristo e exerce o seu próprio sacerdócio real de amor, elevando o mundo para Deus e intercedendo por ele. Pela força do Espírito, que lhe é comunicada na mesa e no louvor eucarístico, ela permanece viva e ativa no coração missionário da Igreja, colaborando assim eficazmente para a vinda do Reino”.

Sem contradizer o espírito eremítico que definia sua essência, Santa Teresa não deixou de implantar e fomentar uma SÓLIDA VIDA COMUNITÁRIA. Para ela, o amor e a intimidade com Deus através da oração e da contemplação, deveriam concretizar-se em frutos de caridade que se manifestam na vida comum. Por isso há um paralelo no nosso dia a dia, duas horas de oração mental e duas horas de recreação. Entre as filhas de Teresa NÃO há qualquer distinção de classe ou origem familiar; TODAS SÃO IGUAIS! E instituiu no programa de vida, após as duas grandes refeições do dia, duas horas de recreio, onde as Irmãs podem partilhar suas alegrias e num clima de grande descontração, recrearem-se conversando.

A família Carmelita é constituída de todas as pessoas e grupos, institucionais ou não, que se inspiram na regra, na tradição e nos valores da espiritualidade carmelita.

Juridicamente a Ordem Carmelita está estruturada da seguinte forma:

  • Ordem Primeira: Composta pelos frades;

  • Ordem Segunda: Composta pelas Monjas;

  • Ordem Terceira: Composta por leigos e leigas.

A Vida em comunidade

De acordo com o ensinamento de Santa Teresa, o estilo de vida comunitária caracteriza-se pelo sentido de igualdade evangélica e pela franca sinceridade no trato, pela mútua partilha das alegrias e tristezas dentro de uma pequena família à qual as Irmãs se ligam por toda vida onde ‘todas devem ser amigas, todas se hão de amar, todas se hão de querer, todas se hão de ajudar’; em um clima de alegria e afabilidade”.

Santa Teresa conjugou vida de oração e vida fraterna, numa complementaridade harmoniosa. O dia da Carmelita é planejado de modo muito equilibrado entre Oração Comunitária, Oração pessoal, Trabalhos, Formação e Convivência Fraterna.

A Liturgia das Horas

O cântico de louvor, que ressoa eternamente nas moradas celestes, e que Jesus Cristo, Sumo Sacerdote, introduziu nesta terra, foi sempre repetido pela Igreja, durante tantos séculos, constante e fielmente, na maravilhosa variedade de suas formas...

A essência do Carmelo é a oração

A oração, litúrgica ou pessoal preenche grande parte das horas do dia.

A meu ver a oração não é outra coisa senão tratar intimamente com Aquele que sabemos que nos ama, e estar muitas vezes a sós conversando com Ele”.

A Liturgia Eucarística

A presença de Cristo na Eucaristia, centro da comunidade, fomenta a união com Cristo, ‘companheiro nosso no Santíssimo Sacramento’, favorece a oração pela Igreja, de acordo com o espírito teresiano”.

Formação

A formação permanente é o esforço constante pessoal e comunitário por crescer até a maturidade ou a plenitude em Cristo. Para aprofundar nossos conhecimentos usamos os diversos meios que temos ao alcance: Cursos, Conferências, Leitura pessoal e partilhada, Estudos, etc.

Instruí-vos sempre minhas filhas, o saber é precioso para iluminar todas as coisas.” (Santa Teresa de Jesus)

Trabalho

À imitação de Cristo, que em Nazaré quis trabalhar com as próprias mãos, e acatando as disposições da Regra, as monjas submetam-se de bom grado à lei comum do trabalho, partilhando da condição dos pobres, ganhando com esforço o necessário a vida e pondo a serviço das irmãs suas energias e qualidades conscientes de que também, através do trabalho associam-se à obra redentora de Cristo”. (Const. 37)

Na mesa comum

Símbolo da comunhão fraterna, as religiosas tomarão com gratidão e alegria os alimentos, presentes da Providência e fruto do próprio trabalho, ouvindo sempre alguma leitura útil a não ser que em determinadas ocasiões festivas a priora dispense do silêncio”. (Const. 93)

Recreação

Para que as Irmãs possam comunicar-se entre si com espontaneidade e alegria, seguindo-se o pensamento de Santa Teresa, terão recreio comum duas vezes ao dia: após a refeição do dia e depois da ceia. Todas as religiosas dele participarão com fidelidade, colaborando caritativamente para a edificação da comunidade, no respeito e na afabilidade mútuos”. (Const. 94)

Desde o primeiro dia me senti em família. A isso, me ajudou o modo de ser das Irmãs. Reinava na comunidade um ambiente de simplicidade e confiança, apesar das diferenças de idade. Eu sabia que eram alegres, porém, quando me encontrei no meio delas, vi que o que eu imaginava não era nem sombra da realidade”. (Teresa dos Andes)


Agostinianos

Orígenes

A Ordem surgiu no século XVI, quando alguns religiosos agostinianos, sob o impulso do Espírito Santo, com um especial carisma coletivo, desejaram viver a sua vida consagrada, com renovado fervor e novas normas, a serviço da Igreja. O Capítulo da Província de Castela, celebrado em Toledo, em 1588, determinou que, nalgumas casas, se vivesse este novo modo de vida. A poucos anos de iniciar-se a Recoleção, em 1605, partiria a primeira expedição missionária para as Filipinas.

Os agostinianos recoletos são herdeiros da forma de vida suscitada por Santo Agostinho (354-430) e assumida no século XIII, com espírito mendicante, pela Ordem de Santo Agostinho (Grande União de 1256). Depois de mais de três séculos de história, em 1912, foram reconhecidos pela Igreja como Ordem religiosa autônoma.

Agostinianas Recoletas

A origem da recoleção feminina é idêntica à da masculina. O mesmo capítulo de Toledo dos Agostinianos destinou três ou mais mosteiros para monjas que desejassem abraçar uma vida mais austera. Em cumprimento a essa ordem, em 24 de dezembro de 1589, abriu-se em Madri o primeiro deles, impondo-se o hábito às primeiras candidatas.

Em 1954, fundaram o segundo convento em Salamanca. Mas, somente no princípio do século XVII, apareceu a figura carismática que incendiou seus ânimos e deu extensão jurídica às suas aspirações.

A Madre Mariana de São José, que em 1603, em estreita colaboração com o Pe. Agustín Antolínez, catedrático de Salamanca, organizou, em Eibar, o terceiro convento, além de regras mais completas, de acordo com a espiritualidade do momento.

Essas constituições, aprovadas por Paulo V, em 1616, propunham um programa religioso que em nada se diferenciava daquele delineado na Forma de Viver dos frades. Ambos os textos coincidiam no vigor de sua força religiosa, em seu tom comunitário e em suas exigências ascéticas.

Com estas Constituições na mão e no coração, madre Mariana pôde iniciar o desdobramento que, em poucos anos, conduziu as recoletas às principais cidades da Espanha e a algumas estrangeiras, como Lisboa, Galway (Irlanda), México, Oaxaca, Guadalajara e Lima. Ao final do século XVII contava com 37 ministérios.


Mercedários

A Ordem Real e Militar de Nossa Senhora das Mercês da Redenção dos Cativos ou, mais simplesmente, Ordem de Nossa Senhora das Mercês é uma ordem religiosa fundada por São Pedro Nolasco em 1218 no então reino de Aragão, em Espanha, para libertar os cristãos que estavam em cativos dos mouros.

Os mercedários foram pioneiros da fé no novo mundo. Alguns autores afirmam que já na primeira viagem de Colombo, dois mercedários, frei João Infante e outro frade do convento de Valladolid, acompanharam o navegador como capelães da expedição descobridora. Com certeza, sabemos que na segunda viagem de Colombo acompanhou o religioso mercedário, de nome frei Juan de Solorzano, primeiro apóstolo de Cuba e ali martirizado, com outros, pela fé. Foi ele quem trouxe à América a primeira imagem de Nossa Senhora que aportou, justamente a das Mercês.

No Brasil, os mercedários estão presentes desde o século XVII. Os portugueses da grande província do Maranhão encontravam-se sem sacerdotes nem assistência religiosa por causa do bloqueio ao qual lhes submeteram os holandeses, que dominavam grande parte do litoral do nordeste. Para remediar esta situação, organizaram uma expedição, comandada pelo capitão Pedro Teixeira, que remontando o rio Amazonas, chegou a Quito, Equador, à procura de sacerdotes. Os documentos falam de uma expedição de 47 canoas, setenta soldados e mil e duzentos indígenas. Pelo menos quatro mercedários voltaram com os expedicionários, descendo de novo pelo Amazonas, e chegando a Belém do Pará, a 12 de dezembro de 1639. Um religioso, Pe. Alonso de Armijo, sucumbiu na viagem e foi sepultado no mesmo rio Amazonas. Em Belém construíram a primeira igreja mercedária que, segundo alguns inscritos, “reuniu preciosos trabalhos de talha, telas de valor artístico e alfaias preciosas”. Ao lado, crescia o convento, que chegou a ser o mais importante e suntuoso da cidade. Depois de longo período de prosperidade, os frades mercedários sofreram grandes perseguições, devido a sérios impasses ocorridos entre Espanha e Portugal. De Belém, passaram os mercedários a estabelecer-se em São Luís do Maranhão, onde foi fundado outro convento. A história das Mercês no Maranhão não é menos brilhante que a de Belém. O espírito evangélico que animava os mercedários na fundação do Convento do Maranhão, deixa-o bem claro o Pe. Antônio Vieira, num sermão de consagração da primeira igreja, contrastando e elogiando aqueles religiosos, que, enquanto moravam em humildes cabanas, dedicavam um esplêndido templo à mãe do Senhor. A Ordem Mercedária chegou a ter, em 1751, três Conventos no Maranhão.

A primeira época dos mercedários no Brasil encerra-se por diversos motivos, entre eles a perseguição de Pombal, a proibição de admitir novos noviços, a independência do Brasil, o cessar da vinda de religiosos da Europa, etc. Com isso, tornou-se, aos poucos, impossível à administração dos Conventos e missões, e foram desaparecendo os religiosos que aqui estavam. No ano de 1862, restavam dois religiosos anciãos e achacosos.


Camaldolense

O Mosteiro da Transfiguração, pertence à grande tradição monástica que no Ocidente reconhece em S. Bento de Núrcia (séc. VI) sua primeira raiz espiritual, e em S. Romualdo de Ravenna (+ 1027), o seu pai espiritual mais próximo. Segue a Regra de São Bento e os ensinamentos de São Romualdo e da milenar tradição que nele se inspira . O Sacro Éremo de Camáldoli ( Itália), foi fundado pelo próprio São Romualdo no ano 1024 e desde aquela época, teve a presença ininterrupta da comunidade monástica.

Camaldolense da Ordem de São Bento tem dois modelos de vida monástica: mosteiro (vida comunitária) e eremitério (vida solitária). Os dois, cada um com o próprio estilo, ficam abertos ao testemunho e ao serviço ao Senhor na Igreja e nos irmãos e irmãs (evangelização).

No mosteiro a vida tem uma intensa dinâmica comunitária, alimentada pela palavra de Deus, pelas celebrações litúrgicas da Eucaristia e do Ofício divino ( Liturgia das Horas), sustentada pelo estudo e trabalho, aberta à hospitalidade dos que pedem acolhimento para fazer retiro espiritual, seguindo o ritmo de vida da comunidade monástica.

No eremitério é sobretudo privilegiada, a busca de Deus na solidão, no estudo e na oração pessoal e comunitária, sempre animada por um intenso sentido de comunhão com os irmãos e com a Igreja inteira. A vida no eremitério visa destacar esta tensão espiritual que anima a caminhada do povo de Deus na história, testemunhando a primazia de Deus na vida de cada cristão.

São Pedro Damião, discípulo de São Romualdo, descreve muito bem esta tensão interior entre solidão e comunhão que faz o eremita morar na intimidade do Espírito e no coração da Igreja e da humanidade.

A vida cotidiana dos monges se desdobra ao redor de alguns eixos fundamentais, que uma secular tradição de sabedoria espiritual tem elaborado, a partir da experiência vivenciada por inúmeros homens e mulheres que dedicaram a própria vida ao Senhor e ao serviço do próximo.

O estilo da vida monástica beneditina e camaldolense é marcado pela virtude da “discrição/discernimento/medida”, como destaca São Gregório Magno, o grande biógrafo e intérprete de São Bento. O intuito da Regra e da organização do dia é levar o monge a construir sua vida totalmente orientada ao Senhor, purificando seu coração e unificando nele suas energias vitais, à medida que cresce a experiência da força transformadora do amor no Espírito Santo. Com isso cresce a autêntica liberdade interior e a recíproca relação na caridade..

Eis alguns dos principais elementos desta cotidiana construção da pessoa e da comunidade monástica. Eles animam o movimento interior e marcam o ritmo do dia, como demonstração da irradiação do carisma monástico e da sua contribuição à evangelização da Igreja.

  • estudo e meditação perseverante da Palavra de Deus (lectio divina), em clima de silêncio, espírito de oração e humildade;

  • celebração do mistério pascal de Cristo na liturgia eucarística e na das horas;

  • busca da obediência de fé ao Senhor, guiados pela sua Palavra, a Regra de São Bento, a tradição viva de São Romualdo e dos padres monásticos, as orientações do magistério da igreja e a reflexão teológica da comunidade cristã, o ministério de animação e de comunhão do Prior, em espírito de comunhão fraterna.

  • trabalho manual e cultural, segundo as circunstâncias, executado em colaboração fraterna;

  • acolhida de Cristo nos hóspedes, nos pobres e nos necessitados de qualquer forma;

  • animação cultural e espiritual.

O resultado de tudo isso é a criação de autêntico espírito filial nas relações com o Senhor e de sincero espírito fraternal entre os membros da comunidade que se abre ao mundo inteiro.

1 – Espírito de oração filial e primado do amor

O Pai nos escolheu no Filho e nos predestinou a sermos filhos adotivos. Consagrados pelo Espírito Santo para formarmos um edifício espiritual e um sacerdócio santo, somos chamados a fazer da nossa vida um sacrifício espiritual agradável a Deus, por Jesus Cristo. Sendo assim aqueles verdadeiros adoradores que o Pai procura (cf Jô 4,23), unidos nos sacramentos da igreja à oblação que o Cristo faz de si mesmo ao Pai, exercem em plenitude o seu caráter sacerdotal. Este culto espiritual, enquanto tem seu centro na liturgia e na vida ascética, abraça todas as expressões da vida pessoal e comunitária.

Participar a desta relação de amor filial de Jesus para com o Pai, constitui a verdadeira escola na qual o monge aprende a lei do “primado do amor”, lei suprema de toda a vida monástica, e sentido das regras e sugestões ascéticas e espirituais. O primado do amor (privilegium amoris) foi a marca que destacou a relação de São Romualdo com seus discípulos, como mestre e como pai.

Eucaristia, Liturgia das horas, lectio divina, serviço na caridade, constituem o horizonte espiritual que alimenta o sentido filial e fraternal da vida do monge camaldolense.

2 – Celebração eucarística

A celebração eucarística, perene presença do mistério pascal de Cristo, é o centro da vida da comunidade. Dela a igreja nasce, dela continuamente vive e por ela cresce e se desenvolve até o encontro final com Cristo, seu esposo glorioso.

Portanto, os monges vão procurando que a orientação espiritual da sua vida seja preparação e expansão da celebração da liturgia e de maneira especial, da eucaristia. Cuidam que todos os membros recebam uma boa formação litúrgica e que as celebrações se desenvolvam com um estilo simples e solene ao mesmo tempo, com respiração e ritmo contemplativo que favoreça uma autêntica participação ativa, interior e ritual.

3 – Liturgia das Horas

Na liturgia das horas a igreja oferece ao Pai o sacrifício de louvor e a ação de graças pela salvação em Cristo, dando voz à inteira família humana e à mesma criação que geme, na espera da plena libertação dos filhos de Deus.

Como a liturgia das horas, conforme a tradição, pretende santificar o curso do dia dando respiração interior, ao ritmo das obras do homem, a sua celebração dela é distribuída ao longo do dia com sapiente medida, alternando oração comunitária e trabalho.

4 – Lectio divina e oração particular

A tradição monástica tem considerado fundamental este encontro com a Palavra de Deus e tem feito dele a “lectio divina” por excelência. Ela abrange, em primeiro lugar a Sagrada Escritura, os padres da igreja, a tradição e a reflexão sempre viva na igreja, no intuito de conduzir o monge a uma inteligência cada vez mais profunda da Palavra divina e a uma atuação mais plena da vontade salvífica do Pai.

A este mesmo objetivo aponta a formação geral e a teológica do monge, em prol da sua vida pessoal e do serviço de animação cultural e espiritual da comunidade na igreja. Tal formação é oferecida a todos os candidatos à vida monástica, independentemente da eventual vocação ao sacerdócio, que deve ser reconhecida e promovida pela comunidade.

Da participação pessoal à liturgia e da prática da lectio divina, desabrochará na alma do monge, sob o influxo do Espírito Santo, aquela oração secreta feita em compunção e pureza de coração, recomendada por São Bento, conforme ao preceito evangélico (Mt 6,6).

Compenetrada e fomentada pelo indispensável clima de silêncio em que Deus fala, praticada com fidelidade, esta oração deve ser para o monge um elemento constante da sua vida filial, além do horário comunitário, visando garantir uma medida mínima e indicando uma atitude permanente.

Permanece fundamental, pelo monge camaldolense, o ensinamento do nosso santo pai Romualdo que entregou aos discípulos como herança preciosa, esta pérola de espiritualidade do oriente e do ocidente monástico, chamada por seu discípulo João “pequena regra de ouro”:

Fica sentado na tua cela, como no paraíso.
Expele da memória o mundo inteiro e joga-o atrás de ti.
Fica vigilante e atento aos bons pensamentos
como um bom pescador aos peixes.
Única via, para tí, encontra-se nos Salmos.
Não deixá-la mais.

Se tu que és noviço não consegues entender tudo,
ora aqui e ora lá, procura rezar os salmos

com o coração e entendê-los com a mente.
E quando na leitura começas a distrair-te,
não desanimes deixando de meditar,
mas esforça-te para voltar à atenção.
Antes de tudo, coloca-te na presença de Deus com atitude humilde,
como quem está na presença do imperador.

Esquece-te totalmente e fica aí
como uma criancinha,
contente só com a graça de Deus.

Pois, se a mãe não dá, ela não tem de que comer,
e a comida mesma não tem sabor.” (São Bruno Bonifácio, Vida dos cinco Irmãos, cap 19)

5 - Trabalho manual e trabalho intelectual

O trabalho, pelos monges como por todo ser humano, é constitutivo da sua vida cotidiana naquele sábio equilíbrio entre todas suas atividades, que a tradição beneditina tem simbolicamente resumido no lema “Ora et labora” (Oração e trabalho).

O trabalho em todas as suas dimensões, seja manual seja intelectual e espiritual, favorece a participação à obra criativa de Deus, ao desenvolvimento das atitudes de cada pessoa em solidariedade com a comunidade, e a participação nas suas necessidades e na vida dos necessitados.

O Horário da comunidade visa a favorecer este compromisso e este equilíbrio.

A tradição beneditina nos solicita um estilo de vida simples e o uso respeitoso das coisas e dos recursos naturais, como resposta à presença sagrada e humilde de Deus neles, não menos de que na liturgia (cf RB ,3110). Para nós é razão profunda para nossa consciência ecológica, brotando daí o nosso carinhoso cuidado pelo ambiente que circunda o Mosteiro e pela criação inteira.


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